Estou agora aqui, no meu novo blogue de Fotografia. A minha ligação à P4Photography, faz-me, pelo menos para já, repensar a minha participação no Nafarricos. Os meus esforços têm sido direccionados na escrita de alguns textos, e gestão de assuntos, relacionados com a galeria, e não faz sentido trazê-los para o âmbito do Núcleo de Arte Fotográfica. Para além disso, a situação do NAF, periclitante, não é um grande incentivo a projectos a longo prazo. Os “donos” do NAF já decidiram e pouco há a fazer. O NAF vai, provavelmente, desaparecer. Os seus verdugos não serão julgados pela História, porque, infelizmente, a responsabilização (ou accountabillity o termo inglês, mais exacto, mas intraduzível) não faz parte de uma cultura que despreza as suas próprias instituições. Mas também não deixarão marcas na longa narrativa do Técnico e do Núcleo. Dos fracos não reza a História.

Carlos M. Fernandes, I-S-T 95-75-15

Carlos Miguel Fernandes


Objectos Encontrados II

Colecção Carlos M. Fernandes

Carlos Miguel Fernandes
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Objectos Encontrados I

Colecção Carlos M. Fernandes

Carlos Miguel Fernandes


Pherographia: Drawing by Ants

Timor mortis conturbat me.

In 1844, Talbot defined light as The Pencil of Nature. Inside the camera obscura, the artist’s pencil was being replaced by light and silver. Photography had just born, from the camera and chemistry, and the apparatus was no longer used exclusively for drawing lines on top of projected images. But nature has other pencils and the scientific progress of the last decades opened the gates to new worlds, to artificial and simulated environments based on natural phenomena. Several research fields are advancing and cooperating in order to understand how natural systems behave (and self-organize) and how these lessons may be applied in real-world problems. Ants, for instance, are known for being able to act as a swarm, find food and build rather stable travelling paths; ants draw lines on the environment. In 1994, scientists Dante Chialvo and Mark Millonas presented a swarm model with a dynamic behavior that may be tuned in to a region that lies between chaos and order, were paths/lines emerge in a plain environment. As in nature, ants communicate by pheromone (here, artificial), which they deposit on the environment and tend to follow as long as they detect it. Other researchers followed this line of work, and modified and applied the system to grayscale images, in order to look for alternative means to deal with image processing tasks. However, new ideas arise when looking at the aesthetical and metaphoric potentialities of the pheromone fields created by ants. Like the pencils of camera obscura, ants draw lines along the contours of the image, by laying more pheromone were contrast is higher (thus attracting other ants that will reinforce pheromone in that area). Like light, silver and film development, the process is gradual, starting with a blank pheromone landscape were slowly emerges an image, a sketch of the original picture.
The “fields” in this project were obtained by evolving the swarm on black-and-white negatives found in a flea market. The ants can draw over any image, and an artifact/camera to capture it directly is possible, but this way we recycle old photographs, in a kind of ecology of the image. In addition, the stage is given to those anonymous people whose faces are locked up in photo albums. All photographs are memento mori, Susan Sontag wrote. By recovering and working on these images, we try to provide them with a last breath of life.

Carlos M. Fernandes, Drawing by Ants

Carlos Miguel Fernandes


Nova Iorque

Estive recentemente em Nova Iorque. Mão amiga guiou-me, à distância, pelas galerias de fotografia de Chelsea. Fui até ao limite ocidental do bairro, já perto do Hudson, subi elevadores, fiz soar campainhas, encontrei a Bruce Silverstein fechada, e esbarrei com espaços que não estavam na lista obrigatória. Na Robert Mann e na Julie Saul encontram-se agora exposições do acervo. On the refrain, até 22 de Agosto na Mann, recorre aos mestres do preto-e-branco, alguns representados na galeria, para estabelecer relações (refrães) entre autores aparentemente distantes. Há magníficas fotografias vintage, e a concepção da exposição, com uma sequenciação de imagens baseada não só nas formas, mas também noutras sugestões mais subtis, leva-nos num ritmado périplo pelo modernismo da Fotografia da primeira metade do século XX. Paul Arma’s Hands, de André Kertész (1894-1985), é um regalo para os olhos. Podem comprá-la por 4500 dólares, muito menos do que algum lixo contemporâneo que empeçonha os circuitos comerciais da Arte.

André Kertész, Paul Arma's Hands

Na Julie Saul, When the color was new (até 6 de Setembro) ambiciona abranger e mostrar o processo de entrada da cor na idade adulta, quando esta retira ao preto-e-branco a exclusividade nas paredes das galerias e museus. Está lá Eggleston, obviamente, e as polaróides de Walker Evans. When the color was new e On the Refrain, foram as melhores exposições que vi nessa tarde. Antes de ir à Aperture, ainda passei pelas galerias James Mollison, Priska C. Juschka, Folley e Poller, todas com Fotografia nas paredes. A Aperture tinha (a galeria fecha em Agosto) um trabalho de Richard Ross, Architectures of Authorithy, que retrata os espaços de autoridade, de poder, de esmagamento das liberdades individuais. Os livros e as edições limitadas estavam em saldo. Por fim, depois de descansar no BillyMark’s West, ainda arranjei forças para subir a Avenue of the Americas até ao Internacional Center of Photography, onde se encontra uma exposição de fotografia japonesa contemporânea, desigual, e uma mostra de Bill Wood (1913-1973), um fotógrafo comercial, e vendedor de câmaras e acessórios. Da primeira exposição retive os nomes de Naoya Hatakeyama, Risaku Suzuki e Miwa Yanagi, e reforcei uma convicção: no Japão fazem-se livros de Fotografia deslumbrantes, originais, refinados. Bill Wood, o fundador da Bill Wood Photo Company, um fotógrafo do banal recuperado pelos curadores Marvin Heifemann e Diane Keaton, surpreendeu-me. A exposição, evitando inteligentemente uma linha de tempo, mostra-nos um trajecto uniforme, marcado pelas encomendas e por um inusitado rigor formal, mas que ao mesmo tempo parece caminhar ao lado daquilo que se convencionou chamar fotografia vernacular.
E foi tudo, nessa tarde quente de Julho. E foi muito.

(Outras histórias de Nova Iorque aqui.)

Carlos Miguel Fernandes


Quia in Inferno Nulla Est Redemptio

Europe is fading. After falling from the cultural burst of the 19th century’s Mitelleuropa directly into Inferno, western Europeans covered themselves with a veil of delusion which is now revealing to be only a drag, stretched enough just to cover the shame, and unable to protect them from a changing world. Convinced they found the secret way to prosperity and peace, inebriated by Bismarck’s legacy, and overlooking (sometimes even denying) the flames of Hell that were still burning on the other side of the curtain, they believed in a new life after WWII, mentally away from the dreadfulness witnessed by the world during the first half of the century. In a quasi-religious manner, they still eager for an Eden, an earthly reward for all that former suffering. However, history never ends, and those who prefer to ignore this fact engage in an existence on the edge of oblivion.

It’s true that the western civilization barely survived the widespread paranoia that almost destroyed it within a century and it’s not easy to deal with that. Wherever we look, there are signs or memorials to assure us that the scars are not forgotten neither healed. Those could be the perfect altars for the Memory, but the European man insists on living in the present. He has no past; he refuses to look over his shoulder, maybe fearing that at the same time he will be facing the future. And there is no comfort in the modern efforts of association, because it reminds us some (not so) ancient catastrophes sustained by bureaucracy and centralization.

What may be the problem with Europe, what is giving rise to this long romantic opera’s libretto (if not Romantism itself)? Is its past a burden too heavy to hold?, not only its dark history but also its glorious achievements? What is left for a culture that already nourished Mozart’s Jupiter, Beethoven’s Seventh and Wagner’s Ring? As Lou Reed puts it (with a pessimism and humility so rarely seen in the pop environment, with all its celebration of the lower culture and refusal of higher standards): you can’t be Shakespeare and you can’t be Joyce, so what is left instead? There’s not much left, indeed. To worsen the situation, Europe collapsed from hysteria and then fell on the last inner circle of Hell. And, once in Hell, there is no redemption. Quia in Inferno nulla est redemptio. That, above all, is Europe’s tragedy.

Carlos M. Fernandes, Berlin

Carlos M. Fernandes, London

Carlos M. Fernandes, Berlin

Carlos M. Fernandes, Krakow

Carlos M. Fernandes, Berlin

Carlos M. Fernandes, Berlin

Carlos Miguel Fernandes



A ler: Madalena Lello sobre a Irlanda.

E, a propósito, um livro que encontrei num alfarrabista de Granada. Ireland, de Dorothea Lange, primeira edição de 1996.

Carlos Miguel Fernandes


P, de Fotografia

A P4Photography já tem endereço em Espanha, a juntar aos de Nova Iorque e Lisboa. Em Granada. Aqui.

(La galeria P4photography ya tiene dirección postal en Granada, España. Haga clique aquí.)

Carlos Miguel Fernandes


Victor Palla

Mais um excelente trabalho do Luís Trindade e da P4Photography (sim, o meu comentário não é imparcial): leilão do espólio de Victor Palla, na P4Photography, dia 29 de Maio. Fica aqui o texto do Alexandre Pomar.

VICTOR PALLA [1922-2006]

Arquitecto e fotógrafo, com obras de referência em ambas as áreas, Victor Palla foi também pintor, ceramista, designer gráfico, editor, tradutor, galerista, agitador de ideias e animador de muitas iniciativas. “Lisboa Cidade Triste e Alegre”, que expõs e publicou em 1957-1959, em colaboração com Costa Martins, foi uma pedrada no charco no panorama da fotografia portuguesa. Redescoberto e redistribuído em 1982, por António Sena e a associção-galeria Ether, o livro tem vindo a ser internacionalmente valorizado como uma das realizações editoriais mais significativas do seu tempo, nomeadamente por Martin Parr e Gerry Badger, na sua história do livro fotográfico, «The Photobook», em 2004.
Para além dessa obra, porém, as fotografias de Victor Palla continuaram a ser pouco conhecidas, em especial quanto à sua vertente mais experimentalista e ao cruzamento com as inquietações do artista plástico ou as actividades do arquitecto e do designer, que foram as suas outras carreiras paralelas. Essa vertente experimental foi ensaiada logo no início da década de 50 e voltou a estar muito presente em várias exposições realizadas a partir dos anos 80, com destaque para “Objectiva 84” da Festa do Avante ou a individual “A Casa”, em 2000, no Centro Cultural da Gulbenkian, em Paris.

Victor Palla nasceu em Lisboa em 1922 e aqui faleceu também em 2006, com 84 anos. Começou por estudar arquitectura em Lisboa, antes de se transferir para o Porto, onde se diplomou. Ainda como estudante, logo em 1944, dirigiu a Galeria Portugália e foi um dos dinamizadores das Exposições Independentes, onde expôs pintura ao lado de Fernando Lanhas, Júlio Resende, Nadir Afonso e Júlio Pomar. De regresso a Lisboa, participou nas Exposições Gerais de Artes Plásticas em quase todas as edições entre 1947 e 1955, com obras de desenho, pintura, artes decorativas, escultura e fotografia.
Em 1973 fundou a galeria Prisma com Costa Martins, Rogério de Freitas e Joaquim Bento de Almeida, onde expôs pintura no ano seguinte. Além das inúmeras mostras colectivas em que participou, fez outras exposições individuais na Galeria de Arte Moderna da SNBA, em 1977; Diagonal, 1983; Diário de Notícias, 1984. (MAIS?)

A partir do início da década de 50, Victor Palla foi um dos modernizadores da arquitectura portuguesa, seguindo os princípios funcionalistas do Estilo Internacional com particular radicalidade plástica, sob influência brasileira. À intervenção teórica e de divulgação em revistas (algumas sob a sua direcção) juntaram-se obras como a escola do Vale Escuro, de 1953, projectada com Joaquim Bento de Almeida. Com atelier conjunto durante 25 anos, a dupla de arquitectos teve acção relevante na renovação dos espaços comerciais de Lisboa, em paralelo com Keil de Amaral e Conceição Silva. Em especial, ficaram a dever-se-lhes os novos cafés e snack-bares Terminus, Tique-Taque, Suprema, o antigo Pique-Nique, no Rossio, e o Galeto, já em 1966. O seu talento multifacetado está presente no dinamismo espacial e material dos volumes arquitectónicos, conjugado com o design inovador do mobiliário e da iluminação, adequados aos novos consumos da «vida moderna».

O design gráfico e a edição foram outras áreas em que Victor Palla se distingiu desde muito cedo, com trabalhos importantes para criação de um gosto visual moderno. Em 1952, frequentou o Publishing and Book Production Course em Londres, criando a seguir a famosa colecção de bolso “Os Livros das Três Abelhas” e as edições Folio, ambas com José Cardoso Pires. Fundou com Orlando da Costa, o Círculo do Livro e, entre outras actividades de editor, autor, tradutor e capista, realizou o plano gráfico da editorial Arcádia.
O Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian dedicou a Victor Palla uma retrospectiva fotográfica em 1992, e o Centro Português de Fotografia atribuiu-lhe o Prémio Nacional em 1999.
Alexandre Pomar


I Encontros de Fotografia de Granada

Ainda não tive tempo para ver todas as exposições dos I Encontros de Fotografia de Granada, mas gostei do que vi no sábado passado. Estamos a falar de um Festival periférico, acabado de nascer, mas que revelou uma organização madura e matéria-prima com qualidade. Gostei também de ver o NAF representado na projecção de sábado, com o trabalho do nosso colega Nuno Matos. O melhor da festa foi, até agora, o pequeno livro de Laura Covarsi (Badajoz, 1979), que pode ser comprado aqui.

Portugal teve um lugar de destaque na projecção de Luísa Monléon (Zaragoza, 1979). A fotógrafa espanhola (novo talento FNAC 2008) mostrou-nos um retrato sombrio de Portugal, com fugazes raios de luz. Há um claro contraste com a imagem que os portugueses têm do seu país, tantas vezes visto com um lugar de sol e alegria, mas que é olhado, desde esta Espanha eufórica e colorida, como a parcela mais melancólica da península. O fado, escutado com muita atenção deste lado da fronteira, reforça essa visão escura, e talvez certeira, do “país das praias”.

Carlos Miguel Fernandes


Fotografia em Granada

Os I Encontros de Fotografia de Granada começam na noite da próxima quinta-feira. Todas as informações aqui.

Carlos Miguel Fernandes



(Tem som...)

Carlos Miguel Fernandes


Nova Página

A nova página do Núcleo de Arte Fotográfica já está disponível no endereço: http://www.nucleoartefotografica.com/

Lá poderão encontrar informações sobre as actividades do Núcleo e sobre os cursos de fotografia.